“Corri da Correria”
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Depois parar de jogar futebol de salão na década de 90, nunca mais pratiquei algum outro esporte com mais regularidade. Algumas vezes me matriculava em uma academia para ter um certo condicionamento físico, mas logo era vencido pela “desculpa” de falta de tempo e de disposição.

Após terminar a faculdade de Engenharia em 1992, tive uma vida bastante agitada e estressante por conta do trabalho, como era de se imaginar em uma cidade grande como São Paulo. Morava em Guarulhos e perdia cerca de 3 horas diárias só no trajeto de ida e volta para o escritório. Não posso reclamar da minha vida profissional, mas isso acabou fazendo com que eu descuidasse da minha saúde. Quando se é novo temos a sensação de que nada de ruim vai acontecer com a gente e que somos imunes às doenças.

Em 2004, após várias vindas a passeio para Florianópolis, decidi fugir da vida em São Paulo e tentar ter uma uma qualidade de vida melhor aqui em Santa Catarina. No ritmo de trabalho que eu levava por lá não sei se estaria aqui hoje para contar a minha história.

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No início as coisas também não foram fáceis e novamente entrei naquela vida agitada por aqui. Até que, a partir de 2007, após passar por um problema crônico de stress no trabalho, comecei a cuidar mais da minha saúde. Tive que ficar afastado por um mês do trabalho por conta de dores horríveis na cabeça. Um diagnóstico de pressão alta e um coração com funcionalidade debilitada (como a de um idoso), me fizeram repensar seriamente na minha vida. Eu tinha ainda apenas 37 anos. Além disso, estava com sobrepeso, colesterol alto, cálculo renal e total falta de disposição e cansaço. Ou seja, sério candidato a um infarto, segundo o médico.

Naquela época meu filho estava com dois aninhos e senti o peso da responsabilidade, o que me deixou apavorado. Resolvi então a começar a fazer as minhas primeiras caminhadas. Muito leigo no assunto eu ia pesquisando a respeito das corridas pela internet e revistas. Na época eu estava no pico do meu peso, atingindo 91 Kg.

Em 2008, iniciei minhas atividades físicas caminhando por cerca de 3 meses. Algo em torno de 30 a 40 minutos, umas 3 vezes por semana. No começo sentia dor em toda a musculatura das pernas e caminhava pouco mais de 2 quilômetros. Aos poucos fui me acostumando e o organismo também. Decidi então arriscar a fazer os primeiros trotes. No início, mal conseguia correr 100 metros, me sentindo um fracassado. Ficava de língua de fora e extenuado.

Persisti, e não desisti. Fui intercalando a caminhada com os trotezinhos. No começo mais andava que corria. Mas fui invertendo essa situação e poucas semanas depois já estava trotando mais que caminhando. Com isso o meu peso foi reduzindo e eu fui me animando, já me imaginando correr sem precisar caminhar.

Num belo dia assisti pela TV uma chamada sobre a Maratona de Santa Catarina que se realizaria em Abr/2009. Num impulso fiz a inscrição na distância alternativa de 10 Km, sem nunca ter participado de alguma outra prova antes. Pareceu loucura, mas foi a melhor coisa que fiz, pois a partir desse momento me obriguei a treinar para vencer esse desafio. Com muito esforço e a duras penas consegui completar a prova. Foi uma sensação incrível de conquista e de superação que eu nunca tinha sentido antes.

Gostei muito de todo o ambiente que envolvia o mundo das corridas, mas essas primeiras provas que participei fui sozinho e parecia meio perdido. Não conhecia ninguém e me sentia um peixe fora d’água.

Podia ter ficado somente nessa prova, mas dessa vez foi diferente. Aos poucos fui conhecendo vários outros atletas de diferentes idades, sexo, profissões, ambições, que participavam das corridas. Eles não tinham o objetivo principal de vencer, mas de ter uma melhor qualidade de vida e buscar a superação a cada prova. O legal é que a maioria dos atletas são também grandes motivadores e incentivadores. Essa atmosfera toda contagia e foi isso um dos principais fatores que me mantiveram na prática desse esporte.

Essas integrações com os outros atletas foram crescendo principalmente com a utilização das redes sociais. Muitos de nós temos blogs, Facebook, Instagram e até mesmo sites e Podcasts. Isso permitiu um compartilhamento de informações de forma bastante rápida e interativa.

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Com o passar do tempo minhas ambições foram para fora do estado, me permitindo correr pelas ruas de São Paulo, Brasília, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo e até Buenos Aires. Essas experiências são muito interessantes, pois unimos a paixão pela corrida com a oportunidade de conhecer novos lugares.

Gosto bastante de números e registro todas as minhas participações nas corridas, mantendo o relato de todas elas no meu blog: Minha Vida de Corredor – Eduardo Hanada –   http://eduhanada.blogspot.com/ Até agora foram 375 corridas concluídas nas mais diversas distâncias entre 3 Km e 42 Km. Foram 16 maratonas, 58 meias maratonas, além de 9 participações na Corrida Internacional de São Silvestre.

No início eu imaginava a corrida como um esporte solitário. Hoje vejo que estava bem enganado. O ato de correr é individual, mas a prática da corrida pode ser coletiva, cercada de muito incentivo e motivação entre os atletas.

Posso afirmar que a “Corrida” salvou a minha vida, recuperando a minha saúde, que estava bem comprometida. Não parei de correr desde o início (2008), os meus exames estão todos dentro da normalidade e faço essas verificações anualmente. Raras são às vezes que fico doente ou sou derrubado por uma gripe mais forte. Me sinto muito mais ativo, disposto e com mais energia que há 10 anos atrás.

Para não dar chances a uma possível desistência, a cada desafio vencido busco logo outro para me empenhar e superar. Tudo para me manter motivado nessa vida mais saudável que conquistei.

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Fonte da Matéria:Confraria das Corridas

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