“A Beleza está nos Olhos de Quem Vê”
a3c740ff09127b6e10b00d3eb4da74f7

Nos textos anteriores falei sobre os transtornos alimentares e a distorção que causam na auto imagem e percepção que cada um tem de si, também na grande imposição cultural e social contemporânea, ao culto de um corpo perfeito e belo.
A metáfora poética que diz que a beleza está nos olhos de quem vê está longe de ser uma ilusão romântica que os apaixonados transparecem.
Além de nos apaixonarmos por outras pessoas, nos encantamos também por objetos, lugares, cheiros, sensações e características por exemplo.
Temos a ilusão de que as qualidades estão nas “coisas”, quando na verdade estão em nós mesmos, os elementos que nos atraem, que nos apaixonam, causam sensações, acontecem em nós mesmos, estão dentro de nós.
A realidade tão real que gostamos de imaginar ser do outro, é na verdade uma realidade subjetiva (interna de cada um), são percepções que não definem a realidade como ela é, mas como se apresenta para nós.
Quando falamos por exemplo que algo não presta, que é ruim, que nos horroriza, estamos falando na verdade da relação que estabelecemos com aquele objeto e não com o objeto em si.
Uma porção de nós está sempre implicada na realidade externa, nossos olhos enxergam nossas projeções, o que projetamos a partir do que somos, e não o que é de fato, o que nos atrai é guiado por nossas experiências individuais, isso significa que enxergar beleza nas coisas independe dela existir ou não.
A qualidade não está no objeto, não que esse objeto não tenha qualidades, mas o que consideramos qualidades ou defeitos são nossos gostos preferenciais.
Por vezes passamos grande parte do nosso tempo tentando agradar os outros, sermos perfeitos para o outro, sermos belos para o outro, quando na verdade agradável, perfeito e belo para o outro está apenas no que ele enxerga.

Ad