“Transtornos Alimentares”
Logo - Quelin Rocha

A partir dessa edição falarei um pouco sobre um tema muito contemporâneo e seus problemas correlatos, os transtornos alimentares.

Busco trazer sob a compreensão da psicanálise, abordagem em que trabalho, o que está em jogo na relação que temos com o alimento e com a fome, que além de ser uma necessidade fisiológica, é também uma necessidade emocional e afetiva.
Cabe ressaltar que esses transtornos podem envolver uma série de elementos, como processos de ansiedade, identificações, formas de vida, cultura, que não permitem isolar um fator determinante, porém um ponto torna-se claro, que a relação, o vínculo com a comida, não está só na comida, a alimentação no humano vem carregada de amor, de sentimentos, de prazer e desprazer, de carinho, de afeto e de cuidado.
Os sintomas e transtornos alimentares estão ligados a longa história do indivíduo, com ele mesmo, com seu corpo, com sua fome, com seus cuidadores primários.
Quantas relações estabelecemos com a comida, não com a comida enquanto objeto que nos mata a fome, ou o quanto comemos, mas a comida que serviu de ponte de comunicação afetiva.
Podemos pensar um exemplo bem simples, quantas vezes ouvimos alguém dizer que quando fica triste não come, ou outro, dizendo que quando fica triste come muito?
Pois bem, a fome não é um mero fenômeno biológico, ela vem enriquecida de tantos afetos, de tantas marcas, de tantas impressões e significados, que embora os transtornos alimentares apresentem queixas e sintomas similares, somente uma compreensão única de cada caso possibilita uma intervenção no sentido de direcionar um tratamento.
Nas próximas edições me dedicarei a falar sobre cada um dos transtornos mais comuns, a Anorexia, a Bulimia, a obesidade e compulsão.

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